Cidades sustentáveis: para começar a pensar

cidades sustentaveis

 

 

O acelerado crescimento vivido até os dias atuais originou grandes e desordenados espaços urbanos. Cidades tornaram-se verdadeiros aglomerados humanos, desprovidas de infra-estrutura e qualidade de vida. Vivemos em tempos de trânsitos intermináveis,engarrafamentos quilométricos, excessos de necessidades nada “necessárias” e pouco espaço.

 

Parece-nos, assim, quase utópico falar de sustentabilidade em ambientes urbanos. Por definição desenvolvimento sustentável é a capacidade de garantir o crescimento tecnológico, social e econômico de uma sociedade sem prejudicar as gerações futuras.

Praticar, de maneira global, esse conceito ainda gera grandes dúvidas e caminhos equivocados.

Como, então, uma cidade pode adaptar-se a esse panorama? É possível desenvolver uma cidade sustentável?

Cidade sustentável não é sinônimo de cidade verde. Não se trata apenas da construção de parques, arborização de calçadas e preservação de áreas. Assim como não estamos lidando com a possibilidade de “voltar ao campo”. Não são as “ecovilas” exemplos de cidades sustentáveis. A questão é mais ampla e complexa e pode ser explicada pela palavra CONEXÃO.

São as grandes cidades, donas de infra-estrutura, sistemas de transporte e urbanização, dentre outros serviços básicos, que se mostram como candidatas à sustentabilidade urbana. Trazer tecnologias ambientais capazes de incrementar a qualidade atmosférica, estimular o planejamento e uso do solo de acordo com características regionais, promover sistemas de transporte eficazes, permitindo a diminuição do uso de automóveis particulares, garantir o uso eficiente de energia, aumentar os espaços verdes e torná-los parte do funcionamento das cidades. Fortemente atrelado a tais estratégias é fundamental desenvolver políticas de incentivo à cultura, melhoria de atendimento à saúde e educação.

Afinal, é preciso lembrar que o Desenvolvimento Sustentável baseia-se em um tripé indissociável: economia, sociedade e meio ambiente. Não há que se falar, portanto, apenas em qualidade ambiental para uma cidade.

As grandes cidades, desenvolvidas e densas, devem continuar crescendo, porém o crescimento deve ser interno. Isso significa que mais inteligente que construir novos espaços urbanos dotados de tecnologias limpas e eficiência energética (como é o caso de Masdar) é reestruturar os territórios das metrópoles. A cidade deve ser vista como um ecossistema, em constante busca por equilíbrio. E é nesse sentido que o planejamento urbano tem papel fundamental: aliar as tecnologias aos serviços básicos (transporte, saneamento, educação) na busca por um sistema inteligente que atende das minorias à classe alta da sociedade. Esse planejamento deve ser contínuo e de longo prazo, buscando adaptar-se a realidade existente.

Sustentabilidade não é uma receita de bolo ou modelo pronto, deve estar em constante avaliação e evolução para atender as necessidades da sociedade. Há vários possíveis caminhos: investir em novas tecnologias, reestruturar centros urbanos abandonados, introduzir novos modelos de educação e economia. Todos os caminhos, porém, devem levar à reconstrução dos espaços existentes. Reconstrução essa que deve primar pelo uso racional de recursos naturais, eficiência energética, diminuição de uso de automóveis particulares.

Uma cidade sustentável deve funcionar como um sistema único e integrado e não como várias pequenas cidades com diferentes realidades econômicas, sociais e ambientais.

Os centros urbanos são a chave para o desenvolvimento sustentável, não há dúvidas. É preciso, portanto, recriá-las e conectá-las à sociedade. Não há crescimento, no século 21, sem que haja mudanças no modo de expandir territórios, sejam eles físicos, econômicos ou sociais.

 

Tags: Desenvolvimento das Cidades Cidade Verde Cidade Sustentáveis Taiana Homobono

Sobre o autor

Taiana Homobono

Engenheira Ambiental, LEED GA
São Paulo-SP

Mais artigos deste autor

Serviços

servicos0