Adaptação gradativa aos processos de Logística Reversa

Desde que a lei 12.305/10 da Logística Reversa foi sancionada em agosto de 2010, como parte da Política Nacional de Resíduos Sólidos, não foram apresentadas propostas concretas para resolver efetivamente a questão. A lei, que começa a vigorar em 2014, propõe a destinação correta de diversos materiais (como pilhas e baterias, pneus, embalagens, lâmpadas) e traz para produtores a responsabilidade de criar canais de devolução e de destinação correta - seja para reciclagem ou reuso. Atualmente, a maioria das empresas está focada na gestão do fluxo do ponto de aquisição até o ponto de consumo, porém a proposta é que haja investimento no caminho inverso.

Importante ressaltar que a lei se faz necessária para que as companhias invistam no processo de Logística Reversa, superando as dificuldades como falta de recursos de pessoal e de sistemas. Mas um passo fundamental para que a iniciativa tenha sucesso é a conscientização do consumidor, peça-chave do projeto, principalmente no processo inicial de adaptação. Para isso, faz-se necessário que órgãos públicos, empresas e entidades relacionadas trabalhem para informar o cidadão, pois o processo reverso se inicia nele.

No setor de bebidas, o sistema possuía, antigamente, uma parcela quase unânime das garrafas. O produto chegava ao consumidor e retornava ao seu centro produtivo para que a embalagem fosse reutilizada e voltasse ao mercado. O processo era contínuo, mas cessou no momento em que as embalagens passaram a ser descartáveis. Sob esse ponto de vista, a Logística Reversa assumirá função importante dentro do processo de reciclagem, com a diferença de que os produtos descartados pelos consumidores retornarão a diferentes centros, onde serão transformados em matéria-prima para outras indústrias e não para o fabricante de uma forma direta, por meio da cadeia de distribuição.

Outro ponto de destaque é o fato de a Logística Reversa trazer valor onde havia somente custos, permitindo a recuperação e avaliação adequada dos ativos. Afinal, os produtos que seriam inutilizados são transformados, reduzindo assim os custos. O processo é vantajoso também para o grande cliente atacadista, pois a não devolução de pallets traz uma série de situações indesejáveis, como aquisição de novas embalagens e atrasos na entrega de produtos.

Em alguns setores, o reuso e a reciclagem já estão bem adiantados. O Brasil lidera o ranking mundial de latas de alumínio, reutilizando 97,6% das latas vendidas em 2010. Segundo o 7º Censo da Reciclagem do PET no País, divulgado em 2011, 232 mil toneladas do produto foram recicladas em 2010, o que equivale a 55,8% do total consumido. Entretanto, ainda há um longo caminho a percorrer. É necessário que as práticas de sucesso sejam replicadas e adotadas por outros segmentos da produção.

Por Hamilton Picolotti

* Hamilton Picolotti é presidente da Confenar - Confederação Nacional das Revendas Ambev e das Empresas de Logística da Distribuição

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