Construção Sustentável: muito se fala, pouco se faz

Sustentabilidade é “a preservação do meio ambiente”, para alguns. A “mudança do consumo, do impulso, da agressão à natureza”, arriscam outros. Em fim, sustentabilidade é tudo isso e muito mais.

Com o apelo mundial para a sustentabilidade, vários setores do mercado mundial estão adotando esse conceito. Atualmente têm sido comum empresas do setor imobiliário lançar empreendimentos “verdes”, preocupados com o meio ambiente. Mas afinal, o que de fato pode ser considerado um empreendimento com conceito sustentável?

ATITUDES SUSTENTÁVEIS

Para Marcos Novais, engenheiro civil e presidente da Coopercon-CE (Cooperativa da Construção Civil do Ceará), o empreendimento sustentável não está limitado apenas a um equipamento de geração de energia renovável ou por simplesmente ter um sistema de captação de água da chuva. A sustentabilidade deve ser pensada desde a concepção do projeto, levando em consideração vários pontos.

Novais aponta como importante a localização do empreendimento (área urbana, com transporte coletivo) para a diminuição da emissão de CO2, o posicionamento da edificação, na tentativa de aproveitar ao máxima a luz solar e a ventilação natural.

Outro ponto importante que Marcos Novais recomenda é a especificação dos materiais. “É importante ficar atento a composição dos materiais, devem ter porcentagem de reciclados, reuso, madeira certificada e comprados na região, com baixa emissão de Compostos Orgânicos Voláteis (VOC).

“Além disso, as construtoras devem evitar os desperdícios, gerando pouco entulho, tendo controle e reutilização de água durante a obra e estar alinhada com os objetivos de sustentabilidade da edificação. Para que tudo isto seja possível, também deve haver um ambiente de troca de informações sobre o projeto com os envolvidos desde a sua concepção. Um planejamento prévio bem feito é fundamental para o sucesso”, orienta Novais.

O arquiteto e urbanista, Euler Muniz, explica que toda intervenção produz impactos ao meio ambiente. No entanto, um empreendimento sustentável deve ser pensado a fim de minimizar os danos ao meio ambiente.

“Pensamos um empreendimento em quatro fases, a concepção, a produção, manutenção e o fim da vida útil do empreendimento, tudo para encontrar a forma que menos produzirá impactos”, comenta.

CUSTOS DA SUSTENTABILIDADE

Todas as iniciativas a fim de tentar mudar a imagem da construção civil de ser altamente poluidora são positivas, porém, tem um custo. Para Novais, os materiais e soluções tecnológicas estão ficando mais baratos, uma vez que a demanda está aumentando, assim como a produção e a oferta dos mesmos.

Segundo Muniz, estes investimentos ainda são caros, pois são poucos os investimentos. “As pessoas tem que pesar a função social deste bem (imóvel). Se ele foi todo planejado pensando no futuro, na economia, no meio ambiente, vale a pena pagar um pouco mais por isso”, afirma.

TENDÊNCIA

A preocupação com o meio ambiente se faz necessária. Na Feicon 2012, principal Feira de Materiais de Construção da América Latina, os produtos sustentáveis eram o “carro chefe” e estavam presentes em quase todos os estandes de vendas.

“A tendência é clara. O grande fabricante que ainda não tem seu produto ou uma linha voltada para a sustentabilidade, hoje está pensando em lançar”, explica Novais.

No entanto, para Muniz, ainda estamos engatinhando. “Ainda faltam investimentos, todo o sistema tem que estar envolvido, alinhado, para apostar e investir em soluções sustentáveis”, comenta.

O QUE ESPERAR PARA O FUTURO

“Hoje a construção sustentável é tratada como uma diferenciação de mercado para um grupo específico, amanhã será percebida como uma opção inteligente pela massa devido aos seus baixos custos operacionais durante a vida útil do empreendimento e, em um futuro não muito distante, construir de forma sustentável não será mais opção, mas uma necessidade para os custos e preservação do meio ambiente”, explica Marcos Novais.

Em contrapartida, Muniz afirma que as mudanças na construção sustentável ainda irão demorar um pouco. “As pessoas ainda estão muito reticentes, muito se fala, se pensa e pouco se faz. Falta participação”, analisa.

Fonte: http://www.oestadoce.com.br

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