Edifícios sustentáveis em expansão

Com preceitos ecológicos, empreendimentos privados ganham mais espaço nas metrópoles brasileiras. Na esfera governamental, Ministério do Planejamento edita instrução normativa, estabelecendo critérios de sustentabilidade para compras e obras públicas

Natalí Alencar

Eficiência energética, uso racional de água, controle e redução de gases poluentes, otimização da qualidade do ar e gerenciamento de resíduos. Esses temas recorrentes da atualidade estão levando as empresas de todos os setores a optarem cada vez mais por alternativas economicamente viáveis e ambientalmente corretas.

Um dos segmentos responsáveis por alavancar a economia do país neste ano, a construção civil tem voltado suas atenções para essas tendências. Os chamados green buildings – ou, simplesmente, prédios verdes – são exemplo desse conceito.

O novo modelo, que prioriza alternativas ecológicas no processo de construção, durante e após a vida útil do empreendimento, tem influenciado o mercado e ganhado espaço no Brasil.

Um dos fatores responsáveis por esse crescimento é a busca por certificações na área, ferramentas úteis para a orientação e implantação de uma obra sustentável, além de ser um diferencial importante no mercado perante outras construções.

E é justamente isso que mostra o relatório 2009 Green Building Market & Impact Report, publicado em abril pela organização não-governamental U.S. Green Building Council, conhecida internacionalmente por ter desenvolvido a certificação Leed (sigla em inglês de Leadership in Eficiency and Environmental Design), o principal selo dado a construções que atendem uma série de normas para serem considerados “verdes”. No ano passado, a construção desse tipo de imóvel registrou 40% de expansão.

“Além da justificativa ecológica, o medo da recessão fez com que muitas construtoras resolvessem optar pelo caminho sustentável, para se diferenciar das concorrentes e assim escapar da crise”, explicou Rob Watson, autor do documento.

Ainda segundo o estudo, os ganhos de produtividade das empresas que possuem escritórios em prédios verdes alcançam US$ 450 milhões. Atualmente, cerca de 580 mil pessoas trabalham em edifícios com certificado Leed e, em 2030, serão mais de 60 milhões, garante o estudo.

O Green Building Council Brasil, capítulo nacional da entidade norte-americana, optou por disseminar no mercado brasileiro esse mesmo sistema de certificação, porém adaptado à realidade local.

O Comitê Leed está dividido em subcomitês temáticos, que abordam os cinco critérios de avaliação da ferramenta, sendo eles materiais e recursos, energia e atmosfera, espaço sustentável, qualidade ambiental interna e o uso racional da água.

No Brasil, há diversos projetos na construção civil que seguem esse conceito e que possuem essa certificação, como o I Tower, construído pela Odebrecht Empreendimento Imobiliários. Localizado ao lado do Shopping Iguatemi, em Alphaville, na Grande São Paulo, a obra conta com 26 andares.

Já o primeiro imóvel brasileiro a possuir padrões de sustentabilidade para construções e planejamento urbano foi a agência Granja Viana do Banco Real, em Cotia, também na região metropolitana da capital paulista.

“A expansão desse mercado ainda pode ser medido, em primeiro lugar, pelo número de processos registrados para terem o certificado verde. Há quatro anos, tínhamos dois e, hoje, são mais de 160 em andamento. Desses, 14 já estão certificados”, explica o diretor executivo do Green Building Council Brasil, Nelson Kawakami, frisando que, apesar desse setor ainda representar menos de 1% do mercado, ele deve crescer expressivamente nos próximos anos, uma vez que o selo verde concedido pela entidade dos EUA já está presente em cerca de dois mil empreendimentos em todo o mundo.

Por aqui, entre os projetos registrados no GBC Brasil estão a loja do Pão de Açúcar em Indaiatuba (SP), o Cidade Jardim Corporate Center, em São Paulo, o prédio Bancor, da Petrobras, e o Colégio Cruzeiro, ambos no Rio de Janeiro; e o Curitiba Office Park, no Paraná.

Além do Leed, no Brasil também há outras certificações destinadas à construção civil, como o Procel/Inmetro Edifica e o Aqua (Alta Qualidade Ambiental do Empreendimento).

O Programa Nacional de Eficiência Energética em Edificações, do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, foi instituído em 2003 pela Eletrobras e é articulado de forma conjunta entre os ministérios de Minas e Energia e o das Cidades.

Essa certificação, que conta com o apoio de universidades, centros de pesquisa e entidades das áreas governamental, tecnológica, econômica e de desenvolvimento, promove o uso racional da energia elétrica, com o objetivo de incentivar a conservação e o uso eficiente dos recursos naturais – água, luz, ventilação etc – nas edificações, reduzindo os desperdícios e os impactos sobre o meio ambiente.

Segundo a Fundação Vanzolini, responsável pela certificação Aqua, o empreendedor, para obter esse certificado, deve estabelecer o controle total do projeto em todas as suas fases, por meio do sistema de gestão do empreendimento, para que sejam atendidos os critérios de desempenho da QAE (Qualidade Ambiental do Edifício).

O local deve garantir qualidade de vida ao usuário, economias de água e energia, disposição adequada de resíduos e manutenção, além de contribuir para o desenvolvimento socioambiental e econômico da região onde estará situado.

Fonte:Revista CCA

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